quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Melhores universidades do mundo

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HARVARD É A MAIS BEM AVALIADA, REVELA RANKING DA BRITÂNICA TIMES HIGHER EDUCATION QUE A FOLHA PUBLICA COM EXCLUSIVIDADE
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Com 29, Reino Unido é 2º; China, com 6, bate Japão na Ásia; América Latina não possui nenhuma instituição

MARCOS FLAMÍNIO PERES
DE SÃO PAULO

Não é só mito, mas estatística: Harvard é a melhor universidade do mundo, os EUA, sozinhos, abrigam 15 das 20 melhores instituições de ensino do planeta, e é dinheiro, muito dinheiro, que move essa engrenagem.
Essas são algumas das conclusões do Ranking Mundial de Universidades 2010-11 da Times Higher Education, referência em ensino superior que a Folha publica com exclusividade no Brasil.
A crise financeira de 2008 parece não ter provocado estrago nos campi dos EUA. Entre as 200 instituições que figuram no ranking, mais de um terço é de norte-americanas (72).
A receita é simples, segundo Ann Mroz, editora da THE: "Os EUA investem 3,1% de seu Produto Interno Bruto em educação superior, enquanto os demais países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico investem 1,5%".

FORÇA ASIÁTICA
Em sua sétima edição, o ranking também revela a forte presença das asiáticas. Entre as 50 melhores, o continente possui sete -China (2), Hong Kong (2), Japão, Coreia do Sul e Cingapura- e, nessa faixa, já bate a Europa continental: Suíça (2), França (2), Alemanha e Suécia.
No entanto, se for incluído o Reino Unido, a balança pende para a Europa. A ilha detém quatro das 50 melhores universidades, três delas entre as dez primeiras (Cambridge, Oxford e Imperial College). Levando-se em conta o ranking completo, o Reino Unido (com 29) e Europa continental (com 51) disparam.
No total, as asiáticas somam 27 -China (6), Japão (5), Taiwan e Coreia do Sul (4 cada uma) são os destaques. Já as instituições dos países de língua inglesa, somadas, dominam 120 posições -ou 60% do ranking (Canadá -nove- e Austrália -sete- vêm em seguida). Na Europa continental, a surpresa foi a Alemanha.
Com 14 instituições, o motor econômico da região também lidera o ensino superior.
O país "investiu 18 bilhões em pesquisa nos últimos cinco anos", afirma Mroz. A França decepcionou: figura apenas em quinto.

NOVOS CRITÉRIOS
A versão 2010-11 do ranking da THE passou por ampla reformulação -a começar da compiladora dos dados, que é a Thomson Reuters. Mas a mudança mais radical, segundo Mroz, foi de metodologia: "Usamos hoje 13 indicadores, em vez dos seis usados anteriormente [...] e ouvimos 13.388 acadêmicos altamente qualificados, de todo o mundo".
O critério de reputação também teve seu peso reduzido. "Privilegiamos mais as evidências objetivas -e não as subjetivas

O 15 de setembro de 2010

Valor Economico 15.09.2010
Por que o 15/9, a quebra do Lehman Brothers, mudou o mundo mais que o 11/9
Gideon Rachman | Financial Times
Os EUA comemoram dois aniversários amargos neste mês: 11/9 e 15/9. Passaram-se dez anos desde que aviões sequestrados se chocaram contra as torres gêmeas, matando quase 3 mil pessoas e transformando as relações do país com o mundo. Passaram-se dois anos desde que o colapso do Lehman Brothers desencadeou uma crise financeira global e gerou o temor de uma nova Grande Depressão.

Os dois incidentes aconteceram a poucos quilômetros de distância, em Manhattan. Cada um deles mudou o mundo profundamente. Mas, quando os livros de história forem escritos, qual será visto como o mais importante?

Meu palpite é que a crise financeira acabará parecendo mais relevante. Isso pode parecer uma opinião estranha. Para muitos americanos, o 11 de setembro marcou definitivamente o fim de uma era. Foi uma década de bons tempos e ostentação à la Gatsby, delimitada entre o colapso da União Soviética e o ataque aos EUA, que teve um fim terrível. Duas guerras, no Afeganistão e no Iraque, foram decorrência direta do 11 de setembro. Os EUA se lançaram numa luta contra o islamismo militante e na "guerra contra o terror" que continua até hoje.

Em contraste, os piores temores provocados pela quebra do Lehman Brothers não se concretizaram. Não houve uma nova Grande Depressão. A economia voltou a crescer. A globalização - a megatendência dos últimos 30 anos - não entrou em marcha à ré. De qualquer forma, acredito que a crise financeira acabará se revelando um ponto de inflexão maior, e não apenas em termos econômicos, mas também geopolíticos. Isso porque foi o 15 de setembro, e não o 11 de setembro, a data que realmente marcou o fim de um "momento unipolar".

Os ataques contra Nova York e Washington em 2001, mesmo terríveis como foram, não sacudiram o domínio dos EUA sobre o sistema econômico e político mundial. Ao contrário, levaram a uma reafirmação dramática do poder americano. Dois governos do outro lado do mundo foram derrubados em pouco tempo. Na esteira imediata das guerras contra o Iraque e Afeganistão, a Casa Branca de George W. Bush e seus defensores sentiram-se mais confiantes do que nunca quanto ao poder dos EUA. Charles Krauthammer, o colunista conservador que cunhou a expressão "o momento unipolar", recebeu a vitória no Iraque saudando um "mundo dominado por uma única superpotência não limitada por nenhum rival".

Em 2008, ficou claro que as vitórias militares iniciais no Iraque e no Afeganistão haviam dado lugar a algo bem mais frustrante e inconclusivo. Mas o poderio econômico dos EUA ainda parecia proporcionar uma base confiável para a posição política global do país.

A crise financeira mudou essa suposição, possivelmente para sempre. Após as consequências da crise, os EUA estão muito mais conscientes dos limites de seu próprio poder. O presidente dos EUA, Barack Obama, mesmo quando anunciou o envio de mais soldados ao Afeganistão, já procurava ressaltar: "Simplesmente não podemos nos permitir ignorar o preço dessas guerras". Cortes no setor de defesa estão por vir.

Os EUA não estão apenas mais conscientes dos limites de seu próprio poder. Também estão muito mais conscientes das forças de seus possíveis rivais. Nos primeiros meses da crise econômica, a visão convencional era de que o mundo deslizaria em uma retração econômica sincronizada. No entanto, a China e a Ásia emergente se recupe-raram com muito mais rapidez do que os EUA e o mundo ocidental.

A crise financeira fez os americanos perceberem que o "desafio da China" não é algo para o futuro distante; está ocorrendo aqui e agora. Embora ainda faltem 15 anos ou mais para a economia chinesa superar a dos EUA, em alguns aspectos importantes a China já se sobressai. Possui as maiores reservas internacionais do mundo. É o maior exportador do mundo. É o maior produtor de aço e gases causadores do efeito estufa. Possui o maior mercado de veículos a motor. É o maior parceiro comercial de outras economias emergentes importantes, como a Índia e o Brasil.

Por enquanto, os EUA continuam sendo a potência dominante, mesmo no "quintal" da China, no Pacífico. Mas nos próximos anos provavelmente surgirão contestações da China à hegemonia dos EUA no Pacífico. Essa nova percepção de rivalidade já aumenta as tensões entre EUA e China - basta ver os atuais esforços para aprovar leis protecionistas no Congresso.

As convulsões provocadas pelo 11 de setembro e pelo 15 de setembro revelaram tipos diferentes de desafios à potência americana.

A militância islâmica violenta ainda tem potencial para provocar danos enormes. Mas a ideia de que a grande tendência geopolítica dos próximos cem anos será a criação de um califado islâmico global é uma fantasia, mesmo que isso seja uma noção popular no Waziristão e nos programas de rádio americanos. É difícil imaginar uma filosofia que seja mais mal adaptada para lidar com a modernidade que o fundamentalismo de Osama bin Laden. Na verdade, uma consequência irônica do 11 de setembro é que pode ter persuadido os EUA a passar uma década vital despejando recursos para combater a ameaça errada.

Em contraste, parece inteiramente plausível que, assim como o século XX foi o século americano, o século XXI seja o século asiático. A transformação econômica que sustenta essa mudança de poder estava mais do que encaminhada antes da crise financeira mundial. A crise, porém, deverá ficar na história tanto como o momento que revelou como o que acelerou a erosão do domínio ocidental. É por isso que o 15 de setembro, no fim das contas, deverá importar mais que o 11 de setembro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

UE e a xenofobia

15 de setembro de 2010
Folha de São Paulo

UE ameaça punir França por xenofobia
Bloco pode multar país por expulsar ciganos; no mesmo dia, proibição de véu islâmico é aprovada por Senado

Vadim Ghirda/Associated Press

Ciganos romenos chegam à capital, Bucareste; grupo é parte de contingente de cerca de 200 pessoas enviadas ontem de volta ao país em voo fretado

Burca e outras vestes do islã passariam a sofrer veto em espaço público, outra ação considerada xenófoba por opositores

VAGUINALDO MARINHEIRO
DE LONDRES

No mesmo dia em que a Comissão Europeia afirmou que a França viola as leis do continente por expulsar ciganos, o Senado do país aprovou projeto que proíbe o uso do véu islâmico em lugares públicos, o que muitos consideram uma violação do direito à liberdade religiosa.
A comissária de Justiça da Comissão Europeia, Viviane Reding, classificou como uma "desgraça" a expulsão dos ciganos promovida pelo governo francês.
"Pensava que a Europa não precisaria testemunhar mais uma vez uma situação como esta após a Segunda Guerra Mundial", disse Reding. Referia-se à perseguição sofrida pelos ciganos na Alemanha nazista.
A comissária pedirá abertura de processo contra a França porque, segundo ela, o país viola as leis da União Europeia que determinam a livre circulação de pessoas pelos países-membros.
A comissão é o corpo executivo da UE. Ela pode solicitar ações contra qualquer um dos 27 países-membros. O processo é conduzido pela Corte de Justiça. Se condenada, a França pode ter de pagar multa. Neste ano, a França mandou de volta para seus países de origem (principalmente Romênia e Bulgária) cerca de mil ciganos.
O governo conservador do presidente Nicolas Sarkozy afirma que não se trata de expulsão, mas de "saída voluntária". Cada um recebe 300 (equivalente a cerca de R$ 660) para deixar o país.
A justificativa oficial é que os ciganos não têm emprego, não pagam impostos, oneram os sistemas públicos de saúde e educação e aumentam a violência nas cidades. O Ministério das Relações Exteriores da França disse que as declarações de Reding não ajudam a causa dos ciganos e que não é hora de polêmicas, mas de ajudá-los.

BURCA
Com a pendenga já armada com grupos de apoio a minorias, a França dá mais um passo para criar outra, agora com os muçulmanos.
Por 246 votos a 1, o Senado aprovou a proibição nos lugares públicos do uso dos véus que cobrem o rosto das mulheres. Partidos de esquerda se abstiveram. Não há menção a religião, mas o alvo são os niqabs (que só deixam os olhos descobertos) e as burcas (que cobrem todo o rosto) usados por muçulmanas.
O projeto, já aprovado pela Assembleia Nacional, deve ser analisado pelo Conselho Constitucional, que irá dizer se a nova lei fere a Constituição do país e o direito à liberdade religiosa. Se considerada constitucional e sancionada pelo presidente Sarkozy (que sempre apoiou o projeto), a proibição entrará em vigor dentro de seis meses.
A França passará então a ser o primeiro país a vetar o véu em lugares públicos. A mulher que portá-lo poderá ser multada em 150 (R$ 330). A pena é maior para o pai ou marido que obrigar seu uso: 30 mil (R$ 66 mil) e até um ano de prisão.
Os defensores da proibição dizem que o véu avilta as mulheres, vai contra a laicidade do Estado e é um risco para a segurança, uma vez que dificulta a identificação de quem está por trás dele.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Corrupção e a Policia Federal

Folha de São Paulo




São Paulo, segunda-feira, 13 de setembro de 2010



Corrupção é o crime mais combatido por PF, diz estudo
De 600 operações analisadas, 22% tinham como objetivo atacar a prática

Prisão mais comum nas ações é de funcionários públicos que atuam na ponta do sistema, como servidores da Receita

Erich Macias -10.set.2010/Folhapress

Agentes da PF durante operação que prendeu governador do Amapá; segundo estudo, maioria das ações do órgão visa combater corrupção pública

UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO

O escândalo da Receita Federal revela o descontrole do Estado sobre os balcões de serviços e mostra como a corrupção está espalhada na franja do sistema, afirma Rogério Arantes, professor de ciência política da USP.
Autor do estudo "Corrupção e Instituições Políticas", apresentado no 7º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, em agosto, Arantes diz que as notícias sobre venda de dados fiscais sigilosos de contribuintes não o surpreendem.
"Estamos habituados a pensar a corrupção no interior da classe política e olhamos pouco para o crime que se apropria do "balcão de serviço", justamente na ponta mais próxima do cidadão. O meu estudo chama a atenção para essa corrupção mais periférica, descentralizada."
Arantes analisou 600 operações da Polícia Federal realizadas de 2003 a 2008. Seu trabalho mostra que a prática criminosa mais combatida é a corrupção pública (22,7%).
A recente operação Mãos Limpas, que levou à prisão o governador do Amapá e outras 17 pessoas, é um dos frequentes exemplos.
Em segundo lugar no ranking das operações da PF aparece o tráfico de drogas (15,2%) e, em terceiro, os crimes de contrabando e descaminho (9,8%).
O estudo mostra também que as operações da PF prendem principalmente funcionários públicos que atuam na ponta do sistema ("street level bureaucracy").
Os servidores federais, como os funcionários da Receita e do INSS, estavam envolvidos em 34% das operações que resultaram na prisão de agentes públicos (de um total de 238 nas quais foi possível identificar o agente preso).
Depois vêm policiais civis e militares (22,3%) e, em terceiro lugar, servidores públicos estaduais (12,6%). A primeira categoria de políticos aparece em sexto lugar: prefeitos (3,8% das operações).
"Esses dados mostram que há muita gente interessada em fazer dinheiro ilegalmente. Quando se diz, por exemplo, que informações protegidas por sigilo "vazam por todos os lados facilmente", é porque tem gente miúda tentando fazer dinheiro miúdo com isso", diz Arantes.
Segundo ele, essa difusão da corrupção explica a dificuldade de enquadramento dos crimes cometidos no escândalo da Receita, como o acesso a dados sigilosos de pessoas ligadas ao PSDB.
"Ora o crime aparece como eleitoral, ora como político, ora como crime comum. Essa disputa em torno da qualificação do caso talvez seja inevitável neste momento, mas não ajuda na sua elucidação. Agora cabe à PF investigar e esclarecer."
A pesquisa de Arantes sugere ainda que as interpretações sociológicas sobre o caráter endêmico da corrupção estatal no Brasil encontram, até hoje, respaldo nos dados.
Além das operações que flagraram a corrupção pública como crime principal, outras direcionadas a crimes comuns, como contrabando, tráfico de drogas ou crime ambiental, também revelaram a coparticipação de funcionários do Estado.
"Concessão de benefícios, emissão de documentos e fiscalização de atividades são tarefas suscetíveis à corrupção, e as operações da PF têm flagrado pessoas dispostas a vendê-las e a comprá-las -nos dois lados do balcão do Estado", afirma Arantes.

domingo, 12 de setembro de 2010

Democracia deliberativa vs democracia agonistica

05/09/2010
Consenso/Conflicto: Chantal, Chantal

Publicado por Roberto Gargarella no seu blog

Hace no mucho tiempo, tuve la oportunidad de comentar y discutir una presentación hecha por Chantal Mouffe en Buenos Aires. Por suerte, la coyuntura política estaba algo más tranquila, y el debate pudo darse en torno a la teoría que ella defendía, y no alrededor de si Chávez o Kirchner estaban haciendo la revolución proletaria. Comenté entonces, con cierto detalle, un trabajo que ella había presentado, desde mi total desacuerdo sobre el modo en que, según entiendo, ella reconstruía, para luego derribar de un soplido, a la tradición democrática deliberativa. Recuerdo esto al leer, hoy, una entrevista que se le hace en Página12, acá.

La entrevista se refiere, mucho más, a la coyuntura política, y a desentrañar si Kirchner es o no el Che Guevara. Pero en ella vuelve, también, a su caballito de batalla, que es el mismo que exhibió la vez en que discutimos, y que ahora sobrevuela toda la entrevista. Se advierte su leitmotiv cuando dice, por ejemplo, en el mismo comienzo del reportaje:

"El objetivo de la democracia no es que todo el mundo se ponga de acuerdo, hay posiciones irreconciliables. Critico a las tradiciones teóricas que dicen que la política democrática busca consensos. Habermas indica que el consenso se busca a través de procesos deliberativos, argumentos racionales. Yo no coincido con él. La política tiene que ver con el conflicto y la democracia consiste en dar la posibilidad a los distintos puntos de vista para que se expresen, disientan."

Creo que este tipo de posiciones son totalmente equivocadas, además de resultar ofensivas e insultantes sobre la tradición que comentan, y me resulta preocupante que desde hace tantos años se insista sobre los mismos errores (que en este caso, vienen a dejar a la entrevistada, en el campo teórico, como si defendiera en soledad lo que otros vienen diciendo hace décadas, de un modo más fundado). Para el reportaje, y sobre frases como la citada, señalo sólo unas pocas cosas (no será éste un intento de "refutar" a Chantal, cosa que intenté hacer frente a ella, personalmente, y con un trabajo escrito por ella mediante, sino sólo un modo de comentar parte de su entrevista):

1) Decir que las teorías de autores como Habermas o Rawls (su otra gran bete noire) escamotean u ocultan el conflicto, es gracioso si no fuera indignante: se trata de los mismos teóricos que escribieron, como pocos otros, fundamentando la objeción de consciencia o la desobediencia civil. No hay casi investigación seria sobre esos temas, en la actualidad, en donde Habermas y Rawls no aparezcan citados en un lugar privilegiado, por su defensa de los objetores y los desobedientes. Pero no. Para Chantal, ocultan el conflicto. No lo reconocen, no les gusta.

2) Los tribunales supieron apoyarse en la tradición deliberativa a la que responden Habermas y Rawls -la del "libre mercado de las ideas" y el "debate vigoroso, deshinibido, robusto"- para justificar las posiciones más radicales en materia de libertad de expresión. Fue esa tradición -y no la schmittiana- la que se utilizó para reclamar que se dejara de perseguir y encarcelar a los anarquistas, a los comunistas, a los que no querían alistarse para la guerra (pienso en casos como "Debs", y los que le siguieron, fundados por los jueces disidentes Holmes-Brandeis). Como pocas veces, los tribunales de entonces se apoyaron explícitamente en una particular filosofía política, para exigir el fin de las persecuciones a los disidentes. Pero no. Para Chantal, esa tradición le escapa al conflicto. Cuando la mayoría de la Corte norteamericana reclamaba la prohibición de una facción revolucionaria de la izquierda que pedía "tirar abajo la democracia", y la cárcel para sus líderes, el juez Brandeis volvió a invocar esta tradición (en su versión liberal-milleana) para sostener "si hay tiempo para argumentar en contra del partido revolucionario, hagámoslo, en lugar de impedir que hablen." Pero no. Para Chantal, la tradición deliberativa no es la que vino a darle amparo al conflicto, protección a los críticos, libertad a los que se enfrentaban al poder: ellos son los que le tienen miedo al conflicto, los que se asustan con el conflicto con sólo invocarlo.

3) En la Argentina, varios nos apoyamos, legítimamente, sin distorsionarlos, en Habermas y Rawls, para defender los derechos de piqueteros y otros grupos que protestaban; para exigirle a los tribunales que cesen de perseguirlos; para decir que ellos tenían, como todavía tienen, el derecho -aún- de desafiar el derecho en nombre de los derechos que les son negados. Pero no. Para Chantal la tradición deliberativa no sabe lidiar con el conflicto. Ve un conflicto y huye, no sabe qué hacer.

4) Rawls habla, en efecto, de la necesidad de poner entre paréntesis ciertos temas divisivos, pero lo hace, clarísimamente, para decir esto: cuando el Estado va a decidir un caso sobre homsexualidad o religión, no puede "ponerse la camiseta" de una visión comprehensiva del bien, sino que debe argumentar con razones públicas. No puede decir, por caso, como se pudo decir en los tribunales y oficinas públicas argentinas (ver post anterior): "acá somos católicos, así que le decimos que no a la homsexualidad." No. Frente a eso, Rawls dice que el Estado debe poner entre paréntesis esa invocación de una moral particular, y hablar desde la razón pública. Esa propuesta, viene en directa defensa de los derechos de las minorías perseguidas por razones sexuales, religiosas, raciales. Uno podría decir que es el modo apropiado de asegurar protección para los más débiles. Pro no. Para Chantal es una manera de poner entre parétesis el conflicto. Una manera de no verlo, de no tocarlo...

5) Y para colmo, su conclusión sobre el tema es una versión diluída, pasteurizada, de lo que Habermas y Rawls hubieran dicho, si les hubieran hecho el reportaje en la cama, a las 4 de la mañana, con los ojos entrecerrados, después de un vuelo de 15 horas, y habiendo consumido píldoras para dormir. Concluye Chantal, luego de golpear a la tradición deliberativa y decir que ella, como académica, se opone a toda esa tradición de los "consensos": "Es que la democracia consiste en permitir que los distintos puntos de vista se expresen, disientan." Es ésta la frase que sigue luego de descalificar a Habermas?? Ahh, tremendo! Ahora sí! Qué manera de reconocer el conflicto! Esto sí es hacerse cargo! Cómo es que Habermas no se dio cuenta!

Ay teoría agonal, cuántas...cosas se dicen en tu nombre!

sábado, 4 de setembro de 2010

A sociedade de sensação

Folha de São Paulo 4 de setembro de 2010

ENTREVISTA CHRISTOPH TÜRCKE

"Tela lança choques sensuais assim como injeções de heroína"

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PARA PENSADOR ALEMÃO, AUTOR DE "SOCIEDADE EXCITADA" E "FILOSOFIA DO SONHO" , USUÁRIOS HIGH TECH SÃO VÍTIMAS DE "DISTRAÇÃO CONCENTRADA"
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MARCOS FLAMÍNIO PERES
DE SÃO PAULO

A sociedade do espetáculo do pós-Guerra se transformou hoje na sociedade da sensação, mergulhada num excitamento contínuo de efeito similar ao das drogas. Essa alarmante tese high tech é defendida pelo filósofo alemão Christoph Türcke, que estará em São Paulo na semana que vem para lançar os livros "Sociedade Excitada" e "Filosofia do Sonho".
Se o marxista francês Guy Debord atacou o consumismo em sua obra pioneira de 1967 ("A Sociedade do Espetáculo"), Türcke defende que o aprofundamento da revolução tecnológica, no final do século 20, provoca um frenesi viciante de "choques" imagéticos e visuais. "Trata-se de injeções sensuais", afirma na entrevista abaixo à Folha.
Assim como as drogas evoluíram em potência -do ópio para a morfina e heroína, das bebidas fermentadas para as destiladas-, a "metralhadora audiovisual" contemporânea provocou um aumento de dependência por parte de seus "usuários". "Isso é o que chamo de distração concentrada." Herdeiro da Escola de Frankfurt, que fundia marxismo e psicanálise, Türcke conclui que a sociedade da sensação se materializa no fetiche. Pois, diz, "fetiches são sintomas de abstinência, substitutos de algo de que se foi dolorosamente privado".

Folha - O conceito de "sociedade da sensação" não é intelectualista demais?
Christoph Türcke - Pelo contrário. Parte de um ponto de vista sensualista, para não dizer fisiológico. Avalia como a máquina audiovisual, que emite seus choques imagéticos 24 horas por dia, se impõe ao sensório humano. Tais choques, que se vive com cada nova focagem de câmara, têm o efeito de injeções sensuais.

Como assim, injeções sensuais?
Qualquer corte imagético, qualquer nova focagem, tem o caráter de um projétil, como diz Walter Benjamin [1892-1940]. Penetra no espectador abruptamente, desencadeando uma dose de adrenalina.

Como o vício define a sociedade da sensação?
Vício como fenômeno particular -como dependência física de certas substâncias (drogas)- está modificando um fenômeno geral, pois a máquina audiovisual também vicia. Quem presta atenção à tela se dedica a ela, vive uma dependência crescente dela, vincula suas expectativas, sua economia emocional e intelectual a ela. Assim como o drogado aplica injeções de heroína, uma sociedade que depende da tela se expõe a bilhões de choques imagéticos. O choque singular é mínimo, quase imperceptível e não faz mal. Bilhões, no entanto, destroem justamente a atenção que elas atraem magneticamente.

Então, em um mundo conectado como o atual, as pessoas estão virtualmente viciadas?
O vício é real. Surge em organismos físicos, não num agregado de pixel. O mundo virtual tem sua própria realidade, uma realidade prepotente, mas por outro lado fraquíssima, muito fugaz, não consistindo senão numa constelação de impulsos eletrônicos. Ao desligar a eletricidade a virtualidade inteira desaparece.

Citando Trótski, o sr. propõe uma relação íntima entre igreja, cinema e álcool. Qual a razão disso?
Trótski não percebeu o alcance da sua própria observação. O vício tem um subtexto teológico. Cada nova injeção atua como promessa. O viciado quer cada vez mais, é insaciável, pois quer viver "o inédito", que o vem salvar. Igreja, cinema, botequim: todos os três nutrem expectativas de salvação, cada um deles à sua maneira. O ateu Trótski tentava tirar a classe operária da aguardente ao reuni-la no cinema. Era a sua igreja.

O sr. diz que, com a invenção do destilado, destruiu-se a cultura do beber e também que a vitória da morfina e da heroína sobre o ópio mudou o padrão do "frenesi", devido à multiplicação do efeito tóxico. Quais as implicações disso para a sociedade contemporânea?
Quanto mais forte, mais rápido o efeito. As drogas desenvolvem-se segundo as necessidades gerais de aceleração.

Então novas drogas, tanto químicas quanto "tecnológicas", deverão necessariamente se desenvolver?
Se forem lucrativas, sim.

Parafraseando o "Manifesto Comunista", de Marx e Engels, o sr. afirma que as pessoas não suportam "o peso da sobriedade". Essa é uma característica da sociedade da sensação?
É. Marx e Engels não eram ascéticos, mas apostaram no domínio da razão sóbria, isenta de qualquer ópio físico ou metafísico. Eram, em outras palavras, racionalistas ilusionistas, subestimaram o homem enquanto ser pulsional que nunca vai se livrar de todas as expectativas de salvação. Não adianta recalcar tais expectativas, trata-se de lidar com elas de modo racional e reflexivo. Mas o sensacionalismo de hoje não dá espaço a tal reflexão. A metralha audiovisual torna o desvio o caminho principal.

Então a "metralhadora audiovisual" liquida a perspectiva de alguma salvação?
Não necessariamente. Não vivemos num mundo predeterminado. O livre arbítrio não está liquidado. As forças dominadoras sempre provocam forças de resistência, tanto em termos educacionais quanto sociais. A história continua em aberto.

O sr. é um crítico da "dupla estratégia" do Greenpeace, de criticar e condescender? Qual a implicação disso para o movimento ambientalista?
Constato, não critico a "dupla estratégia". Observo, porém, que ela sempre indica fraqueza social. São minorias que têm necessidade de usá-la. Organizações não governamentais como o Greenpeace agem sob as mesmas coações comerciais que as grandes empresas. Elas têm que colaborar com forças sociais que, ao mesmo tempo, estão combatendo. Não escapam da ambiguidade. Entretanto, isso de nada serve se não arriscar o ambíguo.

A vida é sonho?
Seria bonito. Mas não é assim. A vida é um conjunto de vários estados. Um deles é o sonho. Representa o subsolo da nossa vida, É a massa de fermentação de todos os nossos desejos, planos, projetos. Ninguém aguenta a vida sem sonho. Sem sonho não há esperança, não há humanidade.




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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A retirada militar americana do Iraque

http://www.jb.com.br
Entrevista dada a jornalista Evelyn Soares do "JB digital" a respeito da Guerra do Iraque