sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Worton e a internet

O Titanic da cibercultura
Por Diego Viana | Para o Valor, de São Paulo
03/12/2010Text
Regis Filho/Valor

Wolton: "Nunca é dito nada de negativo sobre a internet; quando alguém ousa lançar ressalva, é logo tachado de reacionário"O sociólogo francês Dominique Wolton tem o hábito de nadar contra a corrente. Quando a regra entre teóricos da comunicação, inspirados sobretudo pela célebre Escola de Frankfurt, eram os ataques generalizados à indústria cultural, televisão em particular, Wolton buscou demonstrar que justamente esses veículos de comunicação que marcaram o século XX proporcionavam um meio de interação para as sociedades nacionais. Hoje, porém, a internet e as redes sociais parecem, aos olhos da maioria dos analistas, oferecer o caminho para aperfeiçoar a comunicação tanto ao redor do mundo quanto em pequenas comunidades localizadas. Mas o sociólogo discorda profundamente, enxergando nas tecnologias contemporâneas de comunicação uma ilusão de contato que, na verdade, fecha cada um sobre si mesmo. Para Wolton, em resumo, a internet é "o Titanic da cibercultura".

Especialista em comunicação e fundador do primeiro laboratório dedicado ao tema no Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS) - o Instituto de Ciências da Comunicação -, o sociólogo rejeita a associação imediata das noções de comunicação e informação. A comunicação, para ele, envolve relações entre pessoas, e por isso tem implicações políticas, sociais e culturais que vão muito além da informação.

Seu livro mais recente, "Informar não É Comunicar" (Sulina), trata dessas questões centrais da "era da informação". O problema da internet, na concepção de Wolton, é que se trata de uma ferramenta alvo de uma idolatria até então não verificada em relação a nenhuma tecnologia de comunicação. Enquanto a televisão e o rádio foram sempre encarados como instrumentos nas mãos de grupos poderosos, sejam Estados ou corporações multinacionais, ninguém é capaz de enxergar por trás da internet a atuação dessas mesmas entidades.

"Fizeram da internet uma panaceia. Criou-se essa ilusão de que ela seria portadora de liberdade, criatividade, proximidade para todos. Nunca é dito nada de negativo sobre a internet. Quando alguém ousa lançar uma ressalva, é logo tachado de reacionário, antiquado e assim por diante", afirma Dominique Wolton, durante entrevista concedida em São Paulo.

O que cega as pessoas ao redor do mundo para o aspecto não tão revolucionário da internet - aquilo que Wolton denomina a "não revolução da cibercultura" - é uma "ideologia técnica" que vem ganhando terreno sobretudo nos últimos 30 anos. Por meio dessa ideologia, aflora uma convicção de que a evolução do desempenho dos chips e aparelhos associados, como telefones, celulares, computadores, cartões e quetais, é fonte de ganhos na vida social e na capacidade comunicativa de todos.

Mas essa convicção, argumenta Wolton, é ingênua e equivocada. A potência técnica traz mais dados, mais acessos, mais contatos. Mas os dados não são conhecimentos, os acessos não são entradas e os contatos não são comunicação. Para demonstrar sua tese, o sociólogo propõe uma grande greve tecnológica: abdicar temporariamente dos e-mails, dos telefones celulares e, "sobretudo", das fotografias com aparelhos digitais. Uma volta aos filmes fotográficos, exemplifica Wolton, obrigaria o fotógrafo - principalmente o amador - a enxergar o valor de cada imagem que faça, porque ela tem um preço e a quantidade é bastante limitada. Seria necessário olhar antes de apertar o botão do obturador: o olhar é comunicação, o botão não é.

Nesse sentido, o sociólogo descreve o universo da internet no livro "Internet, e Depois" (Sulina) como ao mesmo tempo o auge e a sepultura dessa ideologia técnica. Por que sepultura? Porque "essa onipotência que se tem enxergado na internet, a partir de um certo ponto, terá de refluir necessariamente. Jamais voltaremos a ter uma ideia tão poderosa da ideologia técnica, ao menos não no campo da tecnologia de comunicação. São os excessos da ideologia tecnológica que a tornam insustentável em seu estado atual de euforia".

A briga de Wolton não é com a internet em si, naturalmente, mas com a concepção de globalização que ela carrega consigo. Em um artigo, ele escreve que "mesmo se a informação dá a volta ao mundo, é em menos de 100 quilômetros que a realidade muda". Com isso, a circulação descontrolada de informações por meio dos cabos e satélites da rede mundial acaba enfraquecendo a possibilidade real que as pessoas têm de agir. E essa possibilidade é a ação local, por meio da comunicação entre gente que se conhece e tem uma base comum de cultura histórica, linguística e social. Confrontado com o mantra da modernidade cibernética, o "pense global, aja local", Wolton deixa abertas as possibilidades. "O que temo é que a visão menos otimista, em que se perde com a globalização a própria ideia de globalizar, impeça que acreditemos na possibilidade de agir localmente."

Trata-se de verificar se a velocidade da globalização, que se manifesta numa enxurrada de dados e informações capaz de soterrar uma pessoa, permite às populações desenvolver uma compreensão própria do mundo ou não. Essa é a vantagem da televisão, aos olhos de Wolton.

No tempo em que as sociedades dependiam dela para se informar, por mais que as notícias fossem manipuladas e influenciadas por interesses econômicos e políticos, havia uma base comum a partir da qual cada um poderia tirar suas conclusões para, em seguida, discutir com os vizinhos. Havia espaço para a unidade cultural, mas também para o dissenso. Na cultura técnica, cujo apogeu é a internet, segundo Wolton, as sociedades abdicaram dessa base comum e cada um guarda suas convicções em isolamento, porque recebe apenas as informações que deseja, quando e como deseja.

Mesmo assim, não se pode dizer que a internet esteja mais livre das influências políticas e econômicas que eram tão claras nos grandes meios de comunicação de massa - jornais, internet, rádio. "A circulação da informação na internet já é também manipulada, como sempre foi, por interesses poderosos, econômicos e políticos. As questões com que vai se confrontar são as mesmas que já enfrentaram a televisão e o rádio."

Wolton ressalta que os lados político e econômico do poder são indissociáveis - "quando agem forças econômicas também agem forças políticas, e quando agem forças políticas também são forças econômicas". Mas observa que um poder econômico absoluto, ou seja, a dominação de um mercado, é concebível, mas um poder político absoluto sobre a comunicação fica, se tanto, no campo do potencial. "Os monopólios não podem fazer tudo o que querem. Eles frequentemente creem que podem controlar o país porque puxam as cordinhas, mas isso não é verdade. As pessoas são cada vez mais independentes do que dizemos a elas. Não basta ter duas rádios, três canais de televisão e uma infinidade de jornais para controlar o público."

Se a cultura da internet é uma das faces da globalização, aponta Wolton, então ela deve estar também sujeita às mesmas forças e aos mesmos problemas da globalização como um todo. O Brasil é um grande exemplo dos conflitos que podem surgir de determinadas tendências da globalização - aquelas que isolam, em vez de aproximar. No mundo todo, é possível observar uma expansão das iniciativas que erguem muros entre a identidade (o "nós") e a diferença ("os outros"). Na própria França de Wolton, o governo Sarkozy endureceu progressivamente a política de imigração, até o ápice que foi a recente expulsão de ciganos do país.

Dois outros exemplos são os muros erguidos nas fronteiras dos Estados Unidos com o México e de Israel com a Palestina, que revelam fisicamente a vontade de marcar um território e um universo de exclusão da alteridade. Finalmente, o ataque de militantes terroristas no Iraque a igrejas cristãs coptas do país revela o nível de violência a que pode chegar uma globalização que sublinha as identidades e, com elas, as diferenças.

O que tem o caso brasileiro de especial? Para Wolton, o país tem a tradição de ser a terra onde pode haver comunicação entre diferentes etnias, diferentes religiões, diferentes classes sociais. Essa comunicação não exclui, naturalmente, a existência dolorosa da dominação, da violência, da segregação e da injustiça. Mas os espaços de encontro, de contato e de confronto sempre existiram e obrigaram a que se estabelecessem formas de comunicação. Por mais desigual que fosse essa comunicação, ela sempre pareceu, aos olhos de Wolton, mais democrática do que a existente na Europa e em quase qualquer outro lugar do mundo.

Mesmo assim, o Brasil não escapa "a essa tendência à segmentação e ao comunitarismo através da segurança, de tal maneira que os ricos fiquem juntos, os pobres também, cada um em seu canto". Essa tendência se manifesta nas grandes cidades do país por meio de carros blindados, cercas elétricas e seguranças armados. O perigo é a formação de uma sociedade "em dois tempos", com duas velocidades. Um país dividido não geograficamente, como se chegou a cogitar depois das últimas eleições, mas socialmente e comunicativamente. Em outras palavras, "o multiculturalismo brasileiro talvez esteja diante de uma 'escola de realidade'. Ou bem o país resiste a essa luta ferrenha pela segurança ou entra numa estrutura de uns contra os outros, e nesse caso é toda a unidade nacional que é posta em risco. Essa unidade é vital, mas muito frágil", adverte o sociólogo.

É preciso achar uma saída para essa globalização que desumaniza e bloqueia toda possibilidade de comunicação verdadeira. Wolton estima, em "É Preciso Salvar a Comunicação" (Paulus, 2006), que os conceitos de informação e comunicação só poderão se reconciliar numa outra onda de globalização, em que as populações se darão conta da necessidade de voltar a comunicar. Há duas maneiras de isso acontecer. A otimista seria uma ação política de regulamentação e, em particular, de desconcentração do poder econômico e político das mídias.

Mas se essa ação política não ocorrer - e Wolton não a vê ocorrendo -, será preciso encontrar uma saída pela arte. "Não dá para aniquilar completamente a criatividade e a comunicação do homem. Um dia, haverá um poeta, um cantor, um filósofo, alguém que diga: 'Chega, basta!' Enfim, qualquer coisa, um homem ou uma mulher perfeitamente comum." Porém, se o grande sofrimento de todos os poetas raramente reverbera, o que se vê atualmente não permite imaginar um tal engajamento. "Por enquanto, as pessoas parecem estar mesmo é fascinadas. Elas não se dão conta de que os simulacros de comunicação não servem para nada."

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Diplomacia exposta

Folha de São Paulo, terça-feira, 30 de novembro de 2010



DIPLOMACIA exposta

Site WikiLeaks começou a divulgar no domingo cerca de 250 mil documentos diplomáticos confidenciais dos Estados Unidos, produzidos entre 1966 e 2010

ONDE ENCONTRAR
Os documentos são disponibilizados no endereço cablegate.wikileaks.org

FATOS MARCANTES

HONDURAS
Documento de 24 de julho de 2009 diz que a retirada de Manuel Zelaya da presidência de Honduras em junho do mesmo ano "constituiu um golpe ilegal e inconstitucional". O texto contraria versão de que os EUA teriam apoiado o golpe

GUANTÁNAMO
Textos mostram que os EUA negociaram o destino de presos libertados da base americana de Guantánamo, em Cuba. Um texto sugere que aceitar presos seria uma "maneira barata para a Bélgica conquistar proeminência na Europa"

ESPANHA
A eleição de José Luis Zapatero à chefia do governo espanhol em março 2004 gerou uma série de despachos sobre pretensões do socialista. Os papéis indicavam temor sobre a retirada de tropas espanholas do Iraque, o que ocorreu em abril

IRÃ
Documentos relatam pedidos de líderes árabes aos EUA para que atacassem o Irã. Segundo um dos textos, o rei Abdullah (Arábia Saudita) aconselhou os EUA, em 2008, a "cortar a cabeça da cobra" enquanto havia tempo

PAQUISTÃO
Documentos mostram preocupação dos EUA com a presença de material nuclear no Paquistão - os americanos temiam que ele fosse usado em ataques. Segundo textos, os EUA tentavam, em 2007, remover urânio de um reator usado em pesquisa

CHINA
De acordo com documento emitido pela embaixada americana em Pequim em janeiro deste ano, órgão do governo chinês comandou a invasão dos sistemas de computador do Google no país, como parte de uma campanha de sabotagem

ONU
Documento endereçado a diplomatas dos EUA emitido sob o nome da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que se coletem informações "biográficas e biométricas" de funcionários-chave da ONU

SÍRIA
Segundo textos, os EUA não conseguiram evitar que a Síria fornecesse armas ao Hizbollah no Líbano desde 2006. Após promessa síria de não mandar mais armas ao grupo, os EUA reclamaram de novos envios

FATOS HISTÓRICOS

ARGENTINA
Documento de 28 de dezembro de 1966 menciona uma mudança unilateral da Argentina quanto à jurisdição de sua costa marinha, com um projeto de lei que incluiria as Ilhas Malvinas [disputadas como Reino Unido] em seu território

ÁFRICA DO SUL
Documento do cônsul americano na Cidade do Cabo em 17 de janeiro de 1990 informa que o líder sul-africano Nelson Mandela teria sua liberdade anunciada em 2 de fevereiro, depois de 27 anos de prisão. A notícia foi dada pelo próprio Mandela a um juiz

O QUE OS DOCUMENTOS DIZEM SOBRE LÍDERES MUNDIAIS

RÚSSIA
Dmitri Medvedev
Apesar de ser o chefe de Estado russo, a embaixada americana em Moscou disse, em 2008, que ele é "o Robin do Batman", o primeiro- ministro Vladimir Putin

FRANÇA
Nicolas Sarkozy
A Embaixada dos EUA em Paris descreve Sarkozy como "autoritário", mas diz que o francês pode manter "forte relação transatlântica com os EUA"

ITÁLIA
Sílvio Berlusconi
Documento descreve o primeiro-ministro como "irresponsável, vão e ineficaz"; outro texto cita seu gosto por festas, que o impediria de descansar

COREIA DO NORTE
Kim Jong-il
O ditador é descrito em documentos como "velho fraco" que sofreu "traumas físicos e psicológicos" em sua trajetória

LÍBIA
Muammar Gaddafi
Segundo textos, ele raramente viaja sem sua enfermeira ucraniana, descrita como "loira voluptuosa", e não gosta de voar sobre o mar

ARGENTINA
Cristina Kirchner
O Departamento de Estado pediu a sua embaixada informações sobre o seu "estado de saúde mental", se usa remédios e que decisões deixava para o marido, Néstor Kirchner

VENEZUELA
Hugo Chávez
Em conversa com um subsecretário americano, um conselheiro francês classificou o presidente venezuelano como "louco"

ZIMBÁBUE
Robert Mugabe
Documento da embaixada americana em Harare diz que o governo do presidente é atrapalhado por fatores como sua "profunda ignorância sobre economia"

sábado, 27 de novembro de 2010

Lei da Biodiversidade

Folha de São Paulo 27 de novembro de 2010

Governo quer nova lei da biodiversidade
Agricultura e Meio Ambiente dizem ter superado diferenças envolvendo projeto de acesso a recursos genéticos

Legislação deve ficar no lugar de MP de 2001, a qual burocratizou a pesquisa, deixando empresas na ilegalidade

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

O país poderá ter, no ano que vem, uma nova regra sobre uso da biodiversidade.
Os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura dizem ter superado diferenças em torno do projeto de lei de acesso a recursos genéticos, parado desde o primeiro governo Lula devido a divergências entre as duas pastas.
A nova lei substituirá uma Medida Provisória editada em 2001 e amplamente criticada por burocratizar a pesquisa acadêmica e comercial.
As regras da MP determinam que todo e qualquer acesso a recursos genéticos (fauna, flora e microrganismos) brasileiros depende de autorização do Cgen (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético), órgão do Ministério do Meio Ambiente, e precisa repartir benefícios com o detentor do recurso (seja o Estado, sejam comunidades tradicionais ou indígenas).

NINGUÉM LEGAL
Apesar de ter o intuito de coibir a biopirataria, a MP acabou deixando diversas universidades e empresas na ilegalidade, já que as autorizações são demoradas.
"Não conheço quase ninguém que esteja legal. Muitos passaram anos tentando", disse à Folha o farmacologista João Calixto, da Universidade Federal de Santa Catarina, pioneiro no desenvolvimento de drogas a partir da biodiversidade nacional.
A dificuldade cria um gargalo à inovação e ao aproveitamento econômico da biodiversidade brasileira, que ele chama de "um pré-sal". "Não há investidor que bote dinheiro porque não sabe se vai ser multado."
A situação culminou com 107 processos de acesso ilegal sendo enviados pelo Cgen ao Ibama. Resultado: multas milionárias -só a gigante dos cosméticos Natura foi multada em R$ 21 milhões. A ironia do caso é que, segundo o próprio presidente do Cgen, Braulio Dias, os 107 processos foram de instituições que haviam pedido para se regularizar.

A REGRA NÃO É CLARA
"O problema é que não havia regras claras, então os conselheiros não sabiam o que decidir", afirmou Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.
Em 2007, o Cgen suspendeu a análise dos pedidos, e neste ano enviou os processos ao Ibama -que decidiu pela multa. A Natura já avisou que vai recorrer.
O episódio levou a ministra Izabella Teixeira a pedir uma reestruturação do Cgen. Dias afirma que o órgão contratará neste ano mais analistas, para agilizar as autorizações. "Os 107 casos vão ser definidos neste ano", diz.
O conselho também credenciará instituições como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Instituto Chico Mendes e algum órgão ligado à agricultura para conceder acesso aos recursos genéticos para fins científicos e comerciais.
Hoje, só o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) pode conceder acesso além do Cgen, e só para cientistas.
O principal ponto, porém, é a mudança na lei.
O Ministério da Agricultura sempre foi contra o projeto da área ambiental. Primeiro, por achar que cabia a ele autorizar acesso a espécies de interesse para a agricultura.
Depois, porque a lei tem entre seus objetivos regulamentar no Brasil a Convenção da Biodiversidade da ONU. E a convenção estabelece que todo uso de biodiversidade precisa envolver repartição de benefícios.
O temor da Agricultura era que, como 90% da mesa do brasileiro é composta de espécies de outras partes do mundo, o setor agrícola fosse precisar pagar royalties aos chineses pela soja, por exemplo- e, assim, acabar ficando menos competitivo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Blog do Gargarella

http://seminariogargarella.blogspot.com/ Vejam textos de Riegel e Post, Pzerwoski e Sustein tudo publicado na revista Acá

terça-feira, 23 de novembro de 2010

TPI e o Congo

Tribunal Penal Internacional acusa Jean-Pierre Bemba de crimes contra humanidade na República Centro-Africana

Processo contra ele é o caso mais importante já examinado pela corte, que foi estabelecida em 2002 com sede em Haia
Folha de São Paulo 23 de novembro de 2010

O ex-vice-presidente da República Democrática do Congo Jean-Pierre Bemba, 48, começou ontem a ser julgado no Tribunal Penal Internacional, em Haia, por crimes de guerra e contra a humanidade.
É a mais importante figura já julgada pela corte, instituída em 2002 e que ainda tenta estabelecer sua eficácia para evitar atrocidades.
Bemba é acusado de ter deixado suas tropas cometer estupros e assassinatos na República Centro-Africana entre 2002 e 2003.
Ele liderou 1.500 militares em ações no país vizinho a convite do então presidente Ange-Felix Patasse.
O objetivo era ajudar o governante a lutar contra grupos que tentavam derrubá-lo do poder. A ação foi frustrada, pois Patasse foi deposto.
O promotor Luis Moreno-Ocampo disse que Bemba falhou em impedir suas tropas de "pilhar, espalhar o terror e devastar comunidades". Segundo ele, Bemba enfrenta duas acusações de crimes contra a humanidade e três de crimes de guerra.
"As tropas de Bemba roubaram os bens das pessoas mais pobres do país mais pobre do mundo", disse Moreno-Ocampo.
"As mulheres eram estupradas sistematicamente para se afirmar dominância e quebrar a resistência. Homens eram estuprados em público para que sua autoridade e capacidade de liderança fossem destruídas."

DEFESA
O acusado se declarou inocente de todas as acusações, segundo o advogado de defesa Nkwebe Liriss. "Vocês estão vendo pela primeira vez, e esperamos que seja a última, o julgamento mais injusto que a Justiça internacional já viu", disse.
Será a primeira vez em que os juízes do TPI deliberarão sobre o conceito de "responsabilidade criminal individual". A decisão pode criar jurisprudência para milhares de comandantes suspeitos de envolvimento em crimes semelhantes.
Bemba foi preso em 2008 na Bélgica e transferido em seguida para o tribunal em Haia, na Holanda, onde desde então está preso. Ele é o líder político de alto escalão que ficou preso por mais tempo no tribunal.
Seus advogados de defesa questionam o fato de Patasse e Bozize não estar sendo julgados também.
Se for absolvido pelo tribunal, Bemba tem condições de concorrer à Presidência da República Democrática do Congo em 2012

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Audiência das quotas

No site do STF, sairam as "notas taquigraficas" sobre a Audiência Pública a respeito
das Políticas de Ação Afirmativa de Reserva de Vagas no Ensino Superior

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=processoAudienciaPublicaAcaoAfirmativa